Querido (a)__________(insira nome),
Sabe, eu estava pensando, a gente podia fugir. Pegar um pouco de dinheiro, roupas, as nossas pessoas favoritas e levar junto. O que você acha?
Não se preocupe, seríamos felizes. Um quartinho num beco cheio de gente que se ama é um quartinho feliz.
Podíamos ser hippies, que tal? Sair daqui, ir pra todos aqueles lugares lindos que já conhecemos ou queremos conhecer vendendo polvinho O globo pelo caminho. Acordar sentindo o cheiro de grama molhada e dormir trocando segredos. Seria bom.
Pega a bússola, vem de bicicleta que a gente se encontra no meio do caminho, não tem erro. Eu vou ser a menina baixinha com abraços apertados e um sorriso do tamanho do mundo.
Então, o que você me diz?
Mal posso esperar.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
verdades.
a calma é como um castelo de cartas nas areias de uma praia em pleno outono.
saber controlar a si mesmo é admirável.
se acostumar a mudanças de humor de hora em hora, nem tanto.
quando você começa a considerar normal estar feliz lendo um livro
e de repente se ver em posição fetal no chão do seu Box com a água quente caindo
enquanto você dá gritos mudos
é provável que tenha algo errado.
e também é provável que o que esteja errado seja simplesmente você.
e você sabe disso. afinal de contas se não fosse você, nada seria.
é como jogar dardos no próprio peito.
e quando ninguém parece se importar o suficiente
(pelo menos não o suficiente para você)
bem...
talvez seja hora de procurar ajuda.
saber controlar a si mesmo é admirável.
se acostumar a mudanças de humor de hora em hora, nem tanto.
quando você começa a considerar normal estar feliz lendo um livro
e de repente se ver em posição fetal no chão do seu Box com a água quente caindo
enquanto você dá gritos mudos
é provável que tenha algo errado.
e também é provável que o que esteja errado seja simplesmente você.
e você sabe disso. afinal de contas se não fosse você, nada seria.
é como jogar dardos no próprio peito.
e quando ninguém parece se importar o suficiente
(pelo menos não o suficiente para você)
bem...
talvez seja hora de procurar ajuda.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
sacred heart.
na barra do vestido, a rainha coleciona corações.
o cetim vermelho chega a arrastar no chão,
cobrindo as gordas pernas, a cintura deformada e o farto busto.
a natureza não foi generosa com a rainha.
seus cabelos negros desgrenhados escorrem pelos ombros
e ela sempre está com uma expressão irritada,
fazendo parecer que seus olhos irão saltar.
presa ainda jovem em um casamento sem amor,
a rainha se colocou na obrigação de governar sozinha.
mas ela não percebia
que é impossível governar um reino de loucos.
e a rainha com o tempo foi criando essa expressão de ódio,
que antes não tinha.
de repente as rugas cobriram-lhe o rosto
e tremores tomaram-lhe o corpo.
então, ela decidiu não aceitar mais,
não aceitar mais nada.
para qualquer ofensa,
qualquer desrespeito,
qualquer implicância,
só haveria uma resposta:
"cortem-lhe a cabeça".
o cetim vermelho chega a arrastar no chão,
cobrindo as gordas pernas, a cintura deformada e o farto busto.
a natureza não foi generosa com a rainha.
seus cabelos negros desgrenhados escorrem pelos ombros
e ela sempre está com uma expressão irritada,
fazendo parecer que seus olhos irão saltar.
presa ainda jovem em um casamento sem amor,
a rainha se colocou na obrigação de governar sozinha.
mas ela não percebia
que é impossível governar um reino de loucos.
e a rainha com o tempo foi criando essa expressão de ódio,
que antes não tinha.
de repente as rugas cobriram-lhe o rosto
e tremores tomaram-lhe o corpo.
então, ela decidiu não aceitar mais,
não aceitar mais nada.
para qualquer ofensa,
qualquer desrespeito,
qualquer implicância,
só haveria uma resposta:
"cortem-lhe a cabeça".
terça-feira, 7 de agosto de 2007
mentiras.
eu não te amo mais.
não é sua culpa,
muito menos minha.
eu me esforcei,
eu tentei.
você também, por um tempo...
mas isso não importa agora.
o importante é que eu não te amo mais.
sua risada me cansa,
suas manias me aborrecem,
coisas que um dia foram admiráveis
agora não parecem passar de frescuras.
não me peça pra ficar,
não diga que vai sentir saudades.
não sei qual o problema,
mas acho que não é você
nem sou eu.
te amo menos que ontem
e mais do que amanhã
então é mais fácil ir embora agora
antes que eu te odeie.
não é sua culpa,
muito menos minha.
eu me esforcei,
eu tentei.
você também, por um tempo...
mas isso não importa agora.
o importante é que eu não te amo mais.
sua risada me cansa,
suas manias me aborrecem,
coisas que um dia foram admiráveis
agora não parecem passar de frescuras.
não me peça pra ficar,
não diga que vai sentir saudades.
não sei qual o problema,
mas acho que não é você
nem sou eu.
te amo menos que ontem
e mais do que amanhã
então é mais fácil ir embora agora
antes que eu te odeie.
domingo, 29 de julho de 2007
l'esprit d’escalier.
desço a escada com bolinhos e chá de maçã verde.
abro a porta do porão e ela já está me esperando
pernas cruzadas, corpo apoiado no braço da cadeira.
diz que eu demorei, reclama que a tenho deixado sozinha
mas eu me desculpo, digo que são os negócios
e ela me dá um triste sorriso como resposta.
tomamos chá e no meio da conversa ela me pergunta
o porque de deixá-la presa assim,
mas eu nao respondo nada.
minha pequena começa a chorar e dizer que é famosa,
que logo agora deve haver alguem a procurando.
eu não ligo.
sei que nessa época do ano ela fica assim
e se esquece que faz tanto tempo,
mas tanto tempo,
que já devem ter desistido dela.
deve ser triste saber que desistiram de você,
então eu não me ofendo quando ela me chama de aproveitador.
repouso sua cabeça em meu ombro e digo que vai ficar tudo bem
e que amanhã trarei ovos mechidos para o café da manhã.
ela para de chorar, lhe dou boa noite e a deixo.
subindo a escada penso no que poderia ter lhe respondido,
o motivo dela estar a tanto tempo naquele porão
mas logo paro, antes mesmo de encontrar uma resposta.
afinal de contas, ela foi uma menina má.
uma menina muito má.
abro a porta do porão e ela já está me esperando
pernas cruzadas, corpo apoiado no braço da cadeira.
diz que eu demorei, reclama que a tenho deixado sozinha
mas eu me desculpo, digo que são os negócios
e ela me dá um triste sorriso como resposta.
tomamos chá e no meio da conversa ela me pergunta
o porque de deixá-la presa assim,
mas eu nao respondo nada.
minha pequena começa a chorar e dizer que é famosa,
que logo agora deve haver alguem a procurando.
eu não ligo.
sei que nessa época do ano ela fica assim
e se esquece que faz tanto tempo,
mas tanto tempo,
que já devem ter desistido dela.
deve ser triste saber que desistiram de você,
então eu não me ofendo quando ela me chama de aproveitador.
repouso sua cabeça em meu ombro e digo que vai ficar tudo bem
e que amanhã trarei ovos mechidos para o café da manhã.
ela para de chorar, lhe dou boa noite e a deixo.
subindo a escada penso no que poderia ter lhe respondido,
o motivo dela estar a tanto tempo naquele porão
mas logo paro, antes mesmo de encontrar uma resposta.
afinal de contas, ela foi uma menina má.
uma menina muito má.
terça-feira, 24 de julho de 2007
a mulher barbada.
sinto o palpitar,
o chão empoeirado
e as luzes no meu rosto.
respiro.
meu número começa por si só.
é fácil.
só ficar lá parada.
ouço risos
pessoas assustadas
crianças curiosas.
não me importo.
até vê-la.
sei que aquela meninha me olha diferente.
me olha séria e calada.
me olha.
e de repente todo o picadeiro vira eu, ela e só.
sei que por trás daqueles olhinhos pretos apertados
tem alguem que se pergunta
o que será que tem a perder a mulher barbada.
o chão empoeirado
e as luzes no meu rosto.
respiro.
meu número começa por si só.
é fácil.
só ficar lá parada.
ouço risos
pessoas assustadas
crianças curiosas.
não me importo.
até vê-la.
sei que aquela meninha me olha diferente.
me olha séria e calada.
me olha.
e de repente todo o picadeiro vira eu, ela e só.
sei que por trás daqueles olhinhos pretos apertados
tem alguem que se pergunta
o que será que tem a perder a mulher barbada.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
wonderland.
tic.
rápido, rápido
atrasado, atrasado
os ponteiros do meu relógio começam a tremer
não terei segundas chances ou lugar para me esconder.
dizem que a rainha tem um jardim vermelho sangue,
rosas pintadas com vida
dizem que ela rasga cartas ao meio e as coloca para drenar
se cartas sao capazes de pintar jardins, não quero imaginar o quanto um coelho pode sangrar.
rápido, rápido, rápido
e então tudo começa a inundar e sei que não vou chegar a tempo
estou perdido,
terão coelho para o jantar.
tac.
me coma, me beba.
rápido, rápido
atrasado, atrasado
os ponteiros do meu relógio começam a tremer
não terei segundas chances ou lugar para me esconder.
dizem que a rainha tem um jardim vermelho sangue,
rosas pintadas com vida
dizem que ela rasga cartas ao meio e as coloca para drenar
se cartas sao capazes de pintar jardins, não quero imaginar o quanto um coelho pode sangrar.
rápido, rápido, rápido
e então tudo começa a inundar e sei que não vou chegar a tempo
estou perdido,
terão coelho para o jantar.
tac.
me coma, me beba.
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